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Defensores da Sustentabilidade 28/06/2011

Filed under: UCs Federais — projetomeuquintal @ 2:56 pm

 

Reserva Extrativista Marinha de Pirajubaé

Começamos nossa visita próximo ao mangue. Caminhamos algumas centenas de metros e não vimos ninguém. Estranhamos e provavelmente estávamos indo para o lado errado. Foi quando avistamos um senhor regando algumas flores e árvores de uma casinha de madeira. Começamos a nos aproximar e perguntamos aonde poderíamos achar a sede da Reserva Extrativista do Pirajubaé. Educadamente o senhor abriu um sorriso simpático e nos deu a direção. Depois daquela pequena troca de palavras tínhamos certeza que estávamos falando com um manézinho nato, pescador artesanal que sobrevive da primeira reserva marinha extrativista criada no Brasil.

Depois das indicações de direção com aquele sotaque ilhéu inconfundível, chegamos à sede da RESEX. Fomos logo recepcionadas pela gestora da UC, Fabiana Bertoncini. Conversamos durante horas, e passamos a ver a Reserva com outros olhos.

A RESEX Marinha do Pirajubaé (localização no mapa abaixo) encontra-se na Baía Sul da Ilha de Santa Catarina, no município de Florianópolis e possui uma área total de 1444 ha. É uma UC federal sendo seu órgão responsável o ICMBio.

É nessa área que ocorre o encontro das águas das duas Baías de Florianópolis, formando bancos de areia propícios para o desenvolvimento de espécies marinhas como camarão e berbigão. Além disso, a área protegida ainda abrange o manguezal do Rio Tavares (o mangue ainda mais preservado da ilha), que apesar de ser associado à local sujo por desconhecimento, é berçário de espécies marinhas, principalmente crustáceos (siris e caranguejos).

Hoje em dia o berbigão é um dos produtos mais destacados da atividade artesanal da RESEX, mas antigamente o camarão é que costumava ser o produto mais tradicional. Existem discussões em torno da construção da Via Expressa Sul e das dragagens feitas. Alguns indivíduos defendem que a dragagem foi feita em local indevido, ultrapassando os limites da UC e retirando areia dos bancos de areia onde eram os ecossistemas fundamentais para a sobrevivência dos animais e dos próprios pescadores. O que nos leva a crer que alguma coisa está MUITO errada. O EIA-RIMA estaria de acordo com a realidade?  Alguns outros obstáculos ainda impedem o desenvolvimento da Reserva.  Outro item que queremos destacar é a falta de saneamento! O esgoto costuma ser um dos maiores problemas para a região. A CASAN desejava realizar uma obra o qual influenciaria abruptamente a área protegida, causando poluição e contaminação na região. Por intervenções muito justas, a FATMA juntamente com o pessoal da RESEX conseguiu dispensar o licenciamento e ganhar na justiça.

 Entendemos que a RESEX não é um Parque Natural como o do Córrego Grande ou Lagoa do Peri, aberto a visitações e com programas ecológicos. Mas em questões culturais e mesmo biológicas, a Reserva Extrativista do Pirajubaé tem muito a oferecer. Os pescadores têm uma experiência e conhecimento do mar que, nós, alunas de Oceanografia dificilmente vamos ter ao final do curso. Além do mais a pesca industrial está acabando com nossos recursos, a cada ano estamos encontrando menor quantidade de peixe nos oceanos e colocando espécies a beira da extinção! Por que não dar um pouco mais de valor àqueles que vivem de uma forma sustentável? Não é essa a palavra chave que todos nós defendemos nos dias de hoje? SUSTENTABILIDADE?  

Essa Unidade de Conservação vem sendo apoiada com parceria da UNIVALI desde 1997, auxiliando no monitoramento da água e estudo de espécies marinhas. Sentimos falta da palavra UFSC, que não foi citada uma vez se quer. O plano de Manejo e a questão da fiscalização estão em andamento (finalmente, já que foi criada desde 1992).

A RESEX do Pirajubaé é uma Unidade peculiar e frágil. O mínimo que a população deve ter é respeito, principalmente na questão de lixo e aterro que junto ao esgoto vêm sendo os principais vilões desse ecossistema. Aos estudantes e universidade, talvez devêssemos refletir um pouco mais sobre o apoio e estudos dessa região. Para alunos interessados, conversamos sobre possibilidades de estágio e indicamos que procurem a sede da Unidade, pois houve um interesse quanto a estagiários.

Nosso post termina por aqui (ufa, cansamos)! Agradecemos muito pela atenção da gestora da UC, Fabiana Bertoncini que nos aturou incansavelmente e que nos demonstrou um carinho muito grande pelo local de trabalho. Administrar uma RESEX com um Conselho formado pela própria população não é uma tarefa fácil pois as decisões tomadas devem tentar satisfazer ao máximo cada membro do Conselho.

As fotos aqui postadas são pertencentes à uma exposição que fez parte de um projeto do curso de Fotografia da UNIVALI, com a iniciativa de alunos da professora  Helia Farías Spinoza.

Abaixo está um vídeo que achamos na internet sobre a RESEX do Pirajubaé. É uma reportagem produzida por Patrícia Silveira, com imagens de Fabiano Correia, para o Canal Futura.